Tudo que o mestre fizer –

 

O Capitão passou a utilizar o twitter forçado pelas circunstancias. Depois de recuperado da cirurgia poderia ter deixado o aplicativo de lado mas ao perceber que era a plataforma preferida de Trump para governar seu país, mais do que depressa resolveu manter a “trincheira”. A partir daí foi seguindo religiosamente as decisões do presidente americano na esperança de que – copiando o modelo – algum dia nos tornemos o Estados Unidos do Brasil.

Sentado em seu gabinete, preparando mais um post, Bolsonaro chamou seu porta-voz, o deputado Hélio Negão, parado em pé atrás do chefe.

– Ligou para a Casa Branca hoje?

O porta-voz balançou a cabeça negativamente.

– Já não disse que quero você ligando para Washington todos os dias?

O porta voz tornou a balançar a cabeça negativamente.

– Então liga. Preciso saber se o presidente americano tomou alguma nova decisão…

O porta-voz ligou, não disse uma palavra e entregou o fone para Bolsonaro.

– Você não sabe que não falo inglês? – reagiu o Capitão

O porta-voz apontou para o próprio peito e fez o sinal negativo com o indicador (“eu também não”).

Irritado, o Capitão entregou o fone para sua assessora de Libras.

– Pergunta lá o quê o presidente Trump decidiu sobre o Pacto de Migração proposto pela ONU.

A assessora pediu a Bolsonaro que segurasse o fone.

– Desculpe ocupa-lo presidente, mas vou precisar usar as duas mãos…

Quando começou a gesticular diante do fone Bolsonaro se deu conta de que sem imagem a comunicação ficaria um tanto complicada e gritou para o porta-voz:

– Chama o chanceler Ernesto que ele fala até tupi…

O porta-voz fez o sinal de positivo e foi atrás do ministro. Ernesto surgiu esbaforido e perguntou ao Capitão se ele estava fazendo contato com alguma aldeia indígena.

– Quero falar com a Casa Branca! – berrou o Capitão sem paciência

– Em tupi? – espantou-se o Chanceler

– Em inglês, porra!

– Ah bom. Desculpe presidente. Como seu porta-voz não fala, não entendi direito.

Ernesto tornou a ligar e perguntou sobre o tal Pacto que o Brasil já havia ratificado.

– O assessor do presidente Trump informou – disse o chanceler – que os Estados Unidos foram contra o Pacto.

– Então nós também seremos! – Bolsonaro foi firme

– Mas nós aderimos ao pacto em dezembro, presidente…

– Não importa! Se os Estados Unidos são contra nós também somos. Vamos cair fora.

– Quer saber mais alguma coisa, presidente? – indagou Ernesto tapando o bocal do fone

– Pergunta sobre a questão do muro com o México. Já começaram a construir?

– Ainda não – afirmou o chanceler depois de perguntar

– Então peça a ele que nos avise quando começar. Temos que construir um muro também…Que tal na fronteira com a Venezuela?

O Capitão virou-se para o porta-voz e perguntou o que ele achava da ideia.

– Excelente – respondeu o porta-voz

– Falooooou!!

 

 

 

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Libertas quae sera tamen –

Carlos Eduardo Novaes

Como todos sabem, logo nos primeiros dias do novo Governo o Ceará foi tomado por uma tsunami de violência. Sem conseguir conter os crimes, o Governador Camilo Santana solicitou a presença de tropas federais. Em um primeiro momento seu pedido foi negado provocando uma reunião de emergência com o Capitão no Palácio do Planalto que passamos a relatar.

– Por que os senhor não enviou logo as tropas federais, ministro Moro? – quis saber o ministro da Defesa

Moro escolheu as palavras para responder:

– Bem…O Ceará está no Cinturão Vermelho do Nordeste. O Governador é do PT…

– Sim, e daí? – indagou o ministro Heleno

– O presidente Bolsonaro vive dizendo que precisamos libertar o país do socialismo…

– É verdade – concordou o Capitão

– Mas não é deixando o Ceará pegar fogo – reagiu Heleno – que vamos nos livrar do socialismo.

– E quem me garante – voltou o Capitão – que não foi o próprio Governador vermelho que armou esse banzé para nos criar problemas?

– É uma hipótese! – ponderou o ministro da Defesa

– Vocês sabem como esses socialistas são ardilosos…capazes de tudo – continuou o Capitão

– Uma outra hipótese – acrescentou Heleno, o mais lucido de todos – é que esta violência tenha partido de gente nossa para iniciar a destruição do Cinturão Vermelho…

– Nunca Heleno! Nunca! – rebarbou o Capitão – Nossa gente é de família, os meninos vestem azul, as meninas vestem rosa.

– O fato é que precisamos enviar tropas para lá. O povo cearense não tem culpa do Governador fazer vista grossa – disse o general da Defesa já pensando em guerra – Vamos enviar mil homens, tanques, canhões, carros de combate…

– Tudo isso? – assustou-se Bolsonaro – Negativo. Se ainda fosse para o Dória ou o Witzel, mas para um governador do PT! Vamos mandar 50 homens e olhe lá. Ele que se vire!

– Só 50, presidente? Não vão conter a violência.

– Ótimo! Aí decretamos intervenção federal e tiramos aquele cara de lá.

Depois de muita conversa ficou resolvido que o ministro Moro enviaria 300 homens que permanecerão no Ceará por 30 dias. Bolsonaro queria a permanência por uma semana e foi voto vencido. Saiu da reunião resmungando:

– Trezentos homens por 30 dias??? Assim não vamos conseguir nunca libertar o país do socialismo.

FIM

TUDO QUE O MESTRE FIZER – Carlos Eduardo Novaes

O Capitão passou a utilizar o twiter forçado pelas circunstancias. Depois de recuperado da cirurgia poderia ter deixado o aplicativo de lado mas ao perceber que era a plataforma preferida de Trump para governar seu país, mais do que depressa resolveu manter a “trincheira”. A partir daí foi seguindo religiosamente as decisões do presidente americano na esperança de que – copiando o modelo – algum dia nos tornemos o Estados Unidos do Brasil.

Sentado em seu gabinete, preparando mais um post, Bolsonaro chamou seu porta-voz, o deputado Hélio Negão, parado em pé atrás do chefe.

– Ligou para a Casa Branca hoje?

O porta-voz balançou a cabeça negativamente.

– Já não disse que quero você ligando para Washington todos os dias?

O porta voz tornou a balançar a cabeça negativamente.

– Então liga. Preciso saber se o presidente americano tomou alguma nova decisão…

O porta-voz ligou, não disse uma palavra e entregou o fone para Bolsonaro.

– Você não sabe que não falo inglês? – reagiu o Capitão

O porta-voz apontou para o próprio peito e fez o sinal negativo com o indicador (“eu também não”).

Irritado, o Capitão entregou o fone para sua assessora de Libras.

– Pergunta lá o quê o presidente Trump decidiu sobre o Pacto de Migração proposto pela ONU.

A assessora pediu a Bolsonaro que segurasse o fone.

– Desculpe ocupa-lo presidente, mas vou precisar usar as duas mãos…

Quando começou a gesticular diante do fone Bolsonaro se deu conta de que sem imagem a comunicação ficaria um tanto complicada e gritou para o porta-voz:

– Chama o chanceler Ernesto que ele fala até tupi…

O porta-voz fez o sinal de positivo e foi atrás do ministro. Ernesto surgiu esbaforido e perguntou ao Capitão se ele estava fazendo contato com alguma aldeia indígena.

– Quero falar com a Casa Branca! – berrou o Capitão sem paciência

– Em tupi? – espantou-se o Chanceler

– Em inglês, porra!

– Ah bom. Desculpe presidente. Como seu porta-voz não fala, não entendi direito.

Ernesto tornou a ligar e perguntou sobre o tal Pacto que o Brasil já havia ratificado.

– O assessor do presidente Trump informou – disse o chanceler – que os Estados Unidos foram contra o Pacto.

– Então nós também seremos! – Bolsonaro foi firme

– Mas nós aderimos ao pacto em dezembro, presidente…

– Não importa! Se os Estados Unidos são contra nós também somos. Vamos cair fora.

– Quer saber mais alguma coisa, presidente? – indagou Ernesto tapando o bocal do fone

– Pergunta sobre a questão do muro com o México. Já começaram a construir?

– Ainda não – afirmou o chanceler depois de perguntar

– Então peça a ele que nos avise quando começar. Temos que construir um muro também…Que tal na fronteira com a Venezuela?

O Capitão virou-se para o porta-voz e perguntou o que ele achava da ideia.

– Excelente – respondeu o porta-voz

– Falooooou!!

 

 

 

Que se dane o país!

QUE SE DANE O PAÍS! – Carlos Eduardo Novaes

Nas vésperas do prazo final para decidir se vetava ou não o aumento solicitado pelos pobretões da Corte Suprema de Braziville, o Gov. Mike Fear recebeu o ministro Gil Sea Mentes no porão do Already Buru. Fear embalava alguns pertences e limpava as digitais deixadas por Joe Sley naquele fatídico encontro em março de 2017.

O aumento, como todos os habitantes sabiam, elevaria à estratosfera as contas públicas do condado e largaria um “big cucumber” nas mãos do futuro governador. A grita era grande contra o aumento (chegou-se até a um abaixo-assinado com quase três milhões de assinaturas), ainda que 95% da pacata população não acreditasse que Fear fosse dar seu veto.

Alguns diziam que ele não era suficientemente macho para vetar. A maioria, porém, suspeitava que a razão fosse outra. Com várias pendencias na Justiça, Fear pretendia “trocar” o aumento pela benevolência do STF para quando ele perdesse o foro privilegiado. Para não deixar dúvidas Sea Mentes foi vê-lo naquela tarde de domingo.

– Se o senhor sancionar o aumento, nós prometemos acabar com o auxílio-moradia para o Judiciário – argumentou o ministro

Fear sorriu de lado:

– Ministro, o senhor sabe que o valor do auxílio é uma mixaria perto do rombo que esse aumento vai causar.

– E daí, presidente? – respondeu Sea Mentes – o senhor não estará mais aqui para administrar esse rombo!

Fear gostou das palavras do ministro e estava pronto para “bater o martelo” quando seu filho Mike Jr surgiu no porão aos gritos de “Veta Fear!” Imediatamente Sea Mentes reagiu:

– Que isso menino? Vai brincar lá fora! Isso aqui é conversa de gente grande!

– Veta papai! – disse Mike Jr desafiador – Veta! Esses caras vão passar a ganhar mais de 39 mil, fora as mordomias. Veta!

– Cala essa boca, menino! – Sea Mentes falou grosso

– Sabe qual é o salário médio do trabalhador brasileiro, pai? 2,1 mil reais!

– Como é que você sabe disso, filho?

– A professora me disse. Disse também que 50% dos trabalhadores ganham menos do que um salário-mínimo!

– Isso não em nada a ver – resmungou o ministro – Presidente, dá um jeito no seu filho e decide logo!

– Veta papai! Veta!

– Não vou vetar, filho –Fear respondeu na bucha – Esse povo não merece. Não reconheceu meus esforços. Estou há 30 meses na presidência e nunca passei dos 7% de aprovação. Nunca! Não cheguei nem a dois dígitos!

– É isso aí, presidente – concordou Sea Mentes – Pau nessa cambada!

– E tem mais! – Fear estava exaltado – Vou dar um indulto de Natal que vai botar tudo quanto é preso na rua, inclusive meus amigos do Lava-Jato!

– Não faça isso, pai. O senhor vai esvaziar as penitenciárias e soltar um monte de corruptos.

– Não interessa, filho. Passei 30 meses recebendo todo tipo de crítica e acusações desse povo. Agora chegou minha vez de dar o troco.

– Boa, presidente! Esse povo precisa aprender… Vamos botar para quebrar!

– Quebrar o país – completou o menino

– Que se dane! – emendou Fear – Não vou estar mais aqui!

NOTA FINAL: Muitos moradores do condado estão se mobilizando para alterar a Constituição e impedir que o Governador que sai espalhe bombas-relógio para explodir no colo do Governador que entra, o que configura uma grande sacanagem com o país.

 

 

 

 

 

 

Meia volta volver –

MEIA VOLTA, VOLVER – Carlos Eduardo Novaes

Os que vem de longe lembram que o golpe militar de 1964 foi deflagrado a partir de Minas Gerais pelos generais Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora, e Carlos Luís Guedes, comandante da Infantaria Divisória.

Na tropa que marcharia na direção da Guanabara estava o capitão de artilharia Jair Messias Bolsonaro que momentos antes da partida sofreu um ferimento grave na cozinha do quartel, teve seu corpo congelado por um processo de criogenia ( – 196°C) e só recentemente voltou à vida no hospital de Juiz de Fora, cidade onde servia. O capitão acordou meio tonto, meio assustado e foi logo perguntando aos médicos a sua volta:

– Acabamos com os comunistas?

– Ainda restam alguns por aí – respondeu um dos médicos

– Precisamos liquida-los! Cadê meu fuzil?

Os médicos acharam melhor deixa-lo pensando que ainda estava em 1964. Afinal foram 54 anos congelado, atualiza-lo poderia causar-lhe um choque fatal.

– O senhor não precisa mais do seu fuzil. A Revolução venceu!

– E não me disseram nada! – reclamou o capitão – Onde está o general Mourão?

– Em Brasília – respondeu um dos médicos que distraído completou – Ele é seu vice-presidente!

– Meu? Como assim? Eu sou seu subordinado na 4ª Região. – a ficha caiu – Peraí. Eu sou presidente de que?

– Da República!

– É mesmo? E o Castelo Branco?

– Vai ser o presidente da Petrobras! – disse o médico distraído.

– Ótimo. O marechal entende de petróleo. E o comandante Guedes?

– O senhor indicou-o para comandante da Economia!

– Poxa!  Como é que eu, um simples capitão vim parar na presidência da República? Quem foi o último militar a ocupar a presidência antes de mim?

– O general João Baptista Figueiredo!

– Não lembro dele ter me passado a faixa.

Os médicos perceberam que Bolsonaro estava cada vez mais confuso e resolveram fazer um resumo da sucessão presidencial desde 1964.O capitão ouviu em silencio sobre a morte de Tancredo, o desgoverno de Sarney, o impeachment de Collor, o impeachment de Dilma, a prisão de Lula e no final comentou:

– Que tempos difíceis. Ainda bem que não vivi para ver. É nisso que dá entregar o poder aos civis!

– Mas agora capitão – disse um médico otimista – com sua eleição vamos viver novos tempos!!!

– Negativo! – reagiu irritado – Eu perdi os anos dourados da Revolução! Vamos voltar aos tempos em que fui congelado!

 

 

CUBANACÁN –

CUBANACÁN – Carlos Eduardo Novaes

Enquanto os médicos cubanos esvaziam as gavetas e arrumam suas malinhas (impensável supor que eles tenham malas Louis Vuitton), me ponho a pensar na saúde desses 24 milhões de conterrâneos que ficarão sem atendimento médico sabe-se lá até quando. Já se imaginou no lugar deles?

Fazendo as contas constata-se que há no país 8.332 doutores para ocupar essas vagas. Temos mais até! Acontece que eles preferem ralar no SUS – e nas UPAS? – a se enfiarem em nossos grotões insalubres de miséria, no meio do mato, nas aldeias indígenas e nas comunidades ribeirinhas convivendo com mosquitos de todo tipo e se arriscando a pegar malária e febre amarela. Quem iria cuidar deles?

Foi exatamente apoiado nesse desinteresse que o país se viu obrigado a recorrer aos cubanos – que mantem contrato de cooperação médica com 66 países – e a outros estrangeiros menos votados. Nesses cinco anos do programa mais de 20 mil médicos “vermelhos” já passaram por aqui e fizeram um bom trabalho (ou a mídia conservadora já teria botado a boca no trombone denunciando seus serviços).

Não será portanto a partir de uma avaliação técnica que eles estão sendo despachados de volta, mas – e aí mora o perigo – de um viés ideológico, que o capitão prometeu eliminar – referindo-se ao PT – em sua gestão. Na verdade Bolsonaro está substituindo, digamos, “a ideologia petista” pela “ideologia trumpista”. Ele desconhece que não há vida (nem país) fora da ideologia, presente e invisível (às vezes) como o ar que respiramos.

Significa dizer que pouco importa se os cubanos estão cuidando satisfatoriamente da saúde de nossos desamparados. Para Bolsonaro o importante é que os médicos são representantes de um país comunista que os escraviza e fica com seu dinheiro (qualquer argumento serve para enxota-los). Pela ótica do futuro governo não podemos admitir que 8.332 “vermelhos” circulem livremente pelo nosso território, colocando em risco a integridade nacional. Já pensou se eles se organizam, criam focos de guerrilhas, partem para luta armada e tomam o poder? Aposto como tal possibilidade já passou pela cabeça do capitão.

Bolsonaro bem que poderia ser chamado de Trump Tropical se nesses pouco passos antes da posse já não tivesse se colocado à direita do presidente americano. Não sei como resolverá o problemão em que se meteu (e meteu o país). No grito ele não conseguirá arregimentar oito mil médicos. No convencimento também não. O Ministério da Saúde vai abrir um “voluntariado”, mas com certeza levará algum tempo para preencher todas as vagas. A melhor solução – se me permitem –  é Bolsonaro convidar os médicos que votaram nele.

Estou certo que rapidamente aparecerão mais de 8.332, para o bem do Brasil e o sucesso do futuro governo.

o alvo errado –

 

Queiram perdoar os amigos petistas mas já alcançou as raias do ridículo e do grotesco o comportamento do partido em tentar crucificar o juiz Sergio Moro pela prisão de Lula.

Na última terça-feira um grupo de parlamentares do PT entrou com uma representação no CNJ solicitando que Moro seja impedido de assumir qualquer cargo público. Acusam o juiz de agir com parcialidade para prejudicar o PT. Prejudicar como, cara pálida? Ninguém tem prejudicado mais o PT do que o PT. Basta consultar a longa lista de prejuízos que causou a ele mesmo, à esquerda e ao país.

O problema é que o PT não reconhece suas lambanças nem sob vara e se acha vítima de uma interminável conspiração em rede nacional. Para se “defender” escalou Moro para Cristo (ou anticristo). Será que o partido, seus advogados e seus militantes ainda não entenderam que não foi Moro quem botou Lula na cadeia? Ou será que entenderam mas não querem – como dizíamos na juventude – dar o braço a torcer?

O ponta-pé inicial nesse jogo que parece não ter fim foi dado pelo Ministério Público Federal ao denunciar Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro (no caso do tríplex do Guarujá). A bola então foi passada para a 13ª Vara Criminal em Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato. Lá estava Sergio Moro que ao contrário do que pensam alguns petistas desavisados não pediu o processo para ele (“Por favor, mandem esse processo para cá que eu quero perseguir o Lula!”).

Moro leu as denúncias e vendo, pelas provas apresentadas, que não se tratava de uma perseguição do MPF, pensou duas vezes e condenou o ex-presidente a nove anos e um mês de prisão. Como era uma decisão em primeira instancia e ainda cabia recursos, Lula permaneceu leve, livre e solto. Os advogados do PT, porém, estão certos que na perseguição ao seu cliente, Moro chegou a ligar para a cadeia perguntando se havia vaga.

A bola então foi chutada da 13ª Vara de Curitiba – e do controle de Moro – para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Ai o que aconteceu? Os três desembargadores da 8ª Turma não só mantiveram a condenação – por unanimidade! – como acharam que Moro foi muito bonzinho na sua sentença e aumentaram a pena de prisão para 12 anos e nove meses em regime fechado. A condenação em segunda instancia levou Lula para a confortável prisão da PF em Curitiba de onde acompanha os jogos do Corinthians e a movimentação do futuro presidente que o PT “ajudou” a eleger.

Por favor, senhores, troquem o disco e procurem outro Cristo.